Olha só pra gente… vivemos correndo. Sempre com
pressa. Sempre atrasados. Corremos atrás do tempo como se, um dia, fôssemos
alcançá-lo. Enchemos as horas de compromissos, a cabeça de ruídos e o coração…
de adiamentos.
Eu também corro. Já corri mais. Hoje corro menos —
ou pelo menos tento. E, quanto mais o tempo passa, mais entendo que deveria
correr bem menos.
Chamamos isso de vida moderna, como se o nome fosse
desculpa suficiente para o cansaço. Quando eu corria pelas alamedas, avenidas e
ruas de São Paulo, no vai e vem apressado do metrô, sonhava em voltar pra
Goiás. Imaginava que aqui a vida tivesse outro ritmo, que os dias escorressem
mais mansos, podendo ser saboreados sem pressa — como café quente em manhãs
frescas, daqueles que pedem silêncio e tempo.
O tempo passou… e aqui se corre quase como nos
grandes centros. Gente que corre muito, mas quase nunca sabe pra onde. Talvez
seja isso que chamam de raça humana: uma multidão em movimento, sem mapa, sem
pausa, sem fôlego.
E, no meio dessa corrida, as coisas simples passam
despercebidas — o cheiro do café recém passado, uma música antiga que ecoa na
memória, um pôr do sol que não espera, um silêncio que pede conversa.
“Falta tempo”, dizem. Mas talvez falte mais
presença do que minutos. Mais olhar do que relógio. Mais sentir do que fazer.
Porque a vida não atrasa. Quem se perde somos nós… quando esquecemos de viver
enquanto corremos apenas para chegar.

Comente
Postar um comentário