Na fotografia, registram-se importantes personalidades: Sebastião Arantes, ex-prefeito de Rio Verde; Paulo Campos, então prefeito do município; Wellington Pereira de Castro, Amanda Campos;  O presidente da República, Juscelino Kubitschek.  


Amanda Campos, carinhosamente chamada por todos de Tia Amanda, nasceu em São Paulo, em 12 de julho de 1925, filha de Ricardo Campos e Placidina Campos. Desde cedo revelou vocação para o estudo, a disciplina e, sobretudo, para o cuidado com o próximo. Estudou no Grupo Escolar Eugênio Jardim e concluiu o Curso Normal, preparando-se para a missão educadora que marcaria toda a sua existência.

Em 1944, morando então no antigo Distrito Federal — a cidade do Rio de Janeiro — realizou no Instituto Social Praia de Botafogo o curso de Educação para o Lar, ampliando seus conhecimentos e fortalecendo valores que levaria por toda a vida: organização, responsabilidade e espírito de serviço.

Ao retornar para Rio Verde, iniciou sua trajetória no serviço público, sendo nomeada escrevente do Cartório do Crime. Datilógrafa dedicada e precisa, era ela quem lavrava as atas das audiências de julgamentos do Tribunal do Júri. Durante anos serviu com zelo, competência e discrição, exercendo suas funções com retidão e compromisso.

Mas foi na seara do amor ao próximo que Tia Amanda deixou sua marca mais profunda. Dirigiu por dez anos a Campanha Auta de Souza, ligada ao Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, dedicando-se ao amparo espiritual e material dos necessitados. Sua atuação refletia os princípios da caridade e da fraternidade que orientavam sua vida.

Em 4 de janeiro de 1956 foi fundado o Instituto de Assistência a Menores de Rio Verde (IAM), sob a liderança de Paulo Campos. A instituição nasceu com a finalidade de prestar assistência social a menores órfãos, oferecendo internamento, instrução intelectual, aprendizado profissional, encaminhamento a cursos superiores, educação espiritual e orientação para a vida civil.

Em abril de 1962, Tia Amanda assumiu a direção do Instituto de Assistência a Menores — IAM. E ali permaneceria por mais de 40 anos. Sob sua liderança, o IAM tornou-se muito mais que um abrigo: era um verdadeiro lar. Crianças chegavam ainda em tenra idade e ali permaneciam até a maioridade. Houve períodos em que a casa chegou a acolher 214 internos. Todas eram tratadas com amor, dignidade e respeito. Entre elas, cultivava-se uma relação de irmãos. A rotina era de família — marcada por fraternidade, disciplina, alegria e gratidão pelas bênçãos de cada novo dia.

Paralelamente, Tia Amanda dirigiu a Escola Primária Tia Santinha, fundada em 1963. Desde sua criação até o ano de 2001, a escola funcionou inicialmente com apenas uma sala de aula. O objetivo era atender as crianças carentes ou abandonadas abrigadas no Instituto, além de filhos de famílias de baixa renda das imediações.

Durante a fase de funcionamento (1963 a 2001), a direção esteve sob sua responsabilidade, acumulando também a direção do abrigo. A escola funcionava com uma professora cedida pelo Município e era mantida pelo IAM. O nome foi uma homenagem prestada por Paulo Campos à sua irmã. Fundada como Escola Primária Tia Santinha em 1963, recebeu registro legal em 30 de novembro de 1970, passando então a denominar-se Escola de Educação Infantil Tia Santinha.

A história de Tia Amanda é a história de uma mulher que fez da própria vida um instrumento de transformação social. Educadora, servidora pública, dirigente espírita, administradora e, acima de tudo, mãe de centenas de crianças que encontraram nela acolhimento, orientação e amor.

Seu legado não se mede apenas em números — embora impressionem as mais de quatro décadas à frente do IAM ou as centenas de vidas alcançadas —, mas na formação de cidadãos, na construção de dignidade e na semente de fraternidade que plantou em cada coração.

Tia Amanda não apenas dirigiu instituições: ela construiu destinos. E sua memória permanece viva na gratidão de todos aqueles que tiveram a bênção de chamá-la, com carinho e respeito, de Tia.