A nossa geração aprendeu a ser feliz sem precisar de muito.

Um refrigerante dividido entre amigos. Uma bicicleta pelas ruas sem destino. Um desenho na televisão. Um campo improvisado para jogar bola. E aquela alegria simples quando alguém aparecia no portão chamando para sair.

A infância e a juventude tinham cheiro, tinham barulho e tinham liberdade.

Quando penso nisso, minha memória volta para a Rio Verde de antigamente… uma cidade menor, mais tranquila, onde quase todos se conheciam pelo nome. As ruas, as praças, os encontros inesperados e aquelas amizades que pareciam feitas para durar a vida inteira. Havia uma simplicidade, uma alegria nas pequenas coisas, que hoje é difícil explicar para quem não viveu aquela época.

Tenho saudade dos amigos da parte da Rua de Baixo… das conversas, das brincadeiras, dos momentos que pareciam comuns, mas que o tempo mostrou que eram especiais. Eram dias simples, mas cheios de histórias que ficaram guardadas no coração.

Também me lembro do início dos anos 80, quando morei em São Paulo… para um garoto vindo do interior, tudo parecia gigante: as avenidas intermináveis, o movimento constante, as luzes da cidade e aquele ritmo acelerado que encantava e assustava ao mesmo tempo. Era um mundo novo, cheio de descobertas, experiências e histórias para viver.

Guardo com carinho as lembranças dos amigos da Enéas e do Camarguinho, das conversas, das aventuras e daqueles momentos que fizeram parte de uma fase única da minha vida. No meio daquela imensidão de concreto, fui construindo laços, colecionando histórias e criando memórias que o tempo passou, mas nunca apagou.

Naqueles anos, acreditávamos que as coisas importantes durariam para sempre. A turma da escola. Os amigos da rua. As conversas que atravessavam a noite. Os encontros sem precisar marcar hora. Os sonhos compartilhados. As músicas que tocavam no rádio e acabavam se transformando na trilha sonora das nossas vidas.

O tempo passou. As pessoas mudaram. Algumas seguiram caminhos diferentes. Outras foram embora. Algumas partiram cedo demais. Os planos mudaram. Eu também mudei.

E, às vezes, me pergunto: será que alguém se lembra da última vez que nos reunimos sem saber que seria a última? Da última conversa na porta da escola? Do último passeio pela cidade? Do último "até logo" que acabou virando apenas uma lembrança?

A verdade é que ninguém percebe quando está vivendo um momento que um dia vai se tornar saudade.

Eu ainda estou aqui, carregando essas histórias comigo. Ainda ouço muitas das músicas daquela época. Elas continuam nas minhas playlists e, quando tocam, trazem de volta rostos, vozes e momentos que o tempo não conseguiu apagar.

Porque descobri uma coisa com os anos: não sinto falta apenas daqueles tempos. Sinto falta das pessoas que faziam parte deles.

Das amizades da velha Rio Verde, dos companheiros dos tempos de São Paulo, das conversas, das risadas, dos sonhos e até das loucuras próprias da juventude.

As cidades mudaram. As ruas mudaram. Nós mudamos. Mas existe um lugar onde tudo continua exatamente como era: na memória.

E é lá que, vez ou outra, eu volto para encontrar todos vocês. Ainda jovens, cheios de planos, ouvindo nossas músicas, acreditando que a vida estava apenas começando e que aquele momento duraria para sempre. Talvez não tenha durado para sempre. Mas foi bonito demais para ser esquecido.