6
de setembro de 1968 → 6 de setembro de 2026
Há
datas que cabem numa folha de calendário. E há datas que carregam uma vida
inteira.
Talvez
naquele dia ninguém soubesse, naquela casa, que estava começando uma história
que atravessaria cinco décadas e meia, que conheceria tantos lugares, tantas
pessoas, tantos abraços, tantas despedidas e que, um dia, teria saudade até de
coisas que, quando aconteceram, pareciam absolutamente comuns.
Nascia
um menino. E o mundo continuava girando...
Era
1968. O homem ainda caminhava na Lua apenas na imaginação. A televisão começava
a ganhar espaço nas salas das casas. O rádio ainda era uma espécie de
companheiro de família. Os discos de vinil giravam lentamente, espalhando
músicas pelas tardes. Fotografias eram preciosidades guardadas em álbuns, e as
notícias chegavam com o tempo das cartas, dos jornais e das vozes do rádio.
As
pequenas aventuras que, vistas pelos olhos de um adulto, parecem simples demais
— mas que, para uma criança, eram acontecimentos do tamanho do mundo. A
memória.
Porque
a memória não precisa de conexão. Não precisa de bateria. Não precisa de senha.
Ela simplesmente abre a porta. E nos leva de volta...
Hoje
são 58 anos... 21.184 dias... 508.416 horas... 30.504.960 minutos...
Parece
muito. Mas quando olho para trás, não vejo números. Vejo cenas. Vejo o menino
da cartilha. Vejo as linhas pontilhadas. Vejo as primeiras letras. Vejo as
ruas. Vejo os amigos. Vejo Rio Verde. Vejo os anos 70. Vejo as cores dos anos 80...
São Paulo/Goiás
Vejo
discos, fitas, filmes, fotografias, que não são poucas... quantos álbuns ainda
guardo... entre coloridas e preto e branco 3x4 e outros tamanhos... Vejo
pessoas que o tempo levou, as pessoas que ficaram. Os amores, a família.... trabalho,
sonhos, erros e acertos.... tropeços e recomeços. Vejo, sobretudo, uma estrada.
Uma estrada que não foi perfeita...
Ainda
bem, porque uma vida perfeita provavelmente seria uma vida sem histórias... E
eu gosto das histórias.... eu conto histórias... Ainda tem muitas pra contar,
(penso eu, lembrando que eu faço planos e Deus dá risada...) ...
Hoje,
aos 58, sei que o tempo não pode ser guardado... Não podemos colocar um ano
dentro de uma caixa... Não podemos congelar uma tarde... Não podemos pedir que
uma pessoa fique para sempre.
O
que podemos fazer é viver... E guardar, guardar os abraços, as vozes, os
lugares, as músicas... as histórias, aquilo que realmente importa... Porque, no
fim, talvez a vida seja isso: um grande arquivo de pequenas coisas.
Uma
coleção de instantes que, separados, pareciam insignificantes. Mas que, juntos,
formam quem somos. E quando chega o aniversário, talvez a pergunta mais
importante não seja: “Quantos anos eu tenho?” Talvez seja: “Quantas histórias
cabem dentro de mim?” ... a resposta? Não sei...
Só
sei que são muitas, e ainda há espaço para outras... porque 58 anos não são uma
despedida do tempo... São uma conversa com ele... Uma espécie de pausa para
olhar para trás, sorrir para o menino que fomos e seguir adiante.
O
calendário pode registrar 6 de setembro de 2026..., mas a memória registra
muito mais. Registra 6 de setembro de 1968... registra tudo o que aconteceu
entre uma data e outra... Uma vida inteira... 21.184 dias... E ainda não
acabou, há páginas em branco... manhãs que ainda não nasceram... músicas que
ainda não ouvi... Lugares que ainda não conheci...
Pessoas
que ainda vou encontrar... Abraços que ainda não aconteceram... Histórias que
ainda não contei... E, talvez seja justamente essa a beleza de chegar aos 58:
olhar para trás com gratidão, olhar para o presente com intensidade e olhar
para o futuro com a mesma curiosidade daquele menino que um dia começou a
traçar linhas pontilhadas.
Então...
que venha o próximo capítulo... Sem pressa, sem medo... Com a alma cheia das
histórias que já vivi... e com espaço para todas aquelas que ainda estão
esperando para acontecer... Porque, afinal, 58 anos são apenas o tempo que
passou... A vida é tudo aquilo que ainda podemos fazer com o tempo que ficou...

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