Nos últimos dias, uma Trend chamou a atenção nas redes sociais: foi a volta aos anos 80..., mas, o que é uma Trend? Ela significa tendência e é usada para definir algo que está em alta, fazendo muito sucesso ou viralizando em um determinado momento.

E foi justamente isso que aconteceu. De repente, as redes sociais começaram a ser tomadas por imagens que nos levavam de volta a uma década que marcou uma geração. As pessoas começaram a postar como se estivessem nos anos 80... As imagens remetiam àqueles anos coloridos, aos cabelos dos meninos e, principalmente, das meninas, às roupas coloridas, aos penteados, aos estilos e a toda aquela estética que parecia ter ficado guardada em algum lugar do passado.

Era como se, por alguns instantes, o tempo tivesse dado uma pequena marcha a ré...

Quando o ano de 1980 começou, eu iria fazer 11 anos. Estava entrando na minha primeira 5ª série... Ainda era menino, mas, ao longo daquela década, eu cresceria, amadureceria e me tornaria adolescente. No auge dos anos 80, eu estava vivendo intensamente aquela fase tão especial da vida.

Eu vivi e vivenciei tudo aquilo... Por isso, não preciso pedir ao Chat para criar uma imagem minha naquela época. Não preciso imaginar como eu seria nos anos 80, nem pedir que uma inteligência artificial me coloque dentro de uma fotografia daquela década.

Eu tenho as minhas próprias imagens. Eu tenho as minhas próprias histórias. Eu tenho as minhas próprias lembranças.

Eu estive lá. Eu saboreei os maravilhosos anos 80... Comprei e usei as roupas, os perfumes daquele momento... Vivi as tendências antes mesmo de elas ganharem esse nome que hoje usamos tanto. Eu estava lá quando aquelas coisas aconteciam.

Ouvi as músicas que tocavam naquele momento... Acompanhei os lançamentos dos filmes, dos discos... Comprei discos e K7... Fui a shows... Esperei músicas novas no rádio, gravei fitas, troquei discos, descobri bandas e cantores que acabariam fazendo parte da trilha sonora da minha vida.

Tenho boas recordações desse maravilhoso tempo... Estive nas portas de colégios, nos bailinhos, nos bares e nas boates... Vivi aquela expectativa de esperar alguém na saída da escola, os encontros marcados, os olhares que diziam muito sem precisar de uma única palavra...

Fumei Hollywood, porque acreditava que era o sabor do sucesso; Carlton, porque era um “raro prazer”; e ainda tinha o Charme, que, convenhamos, era um verdadeiro charme... Gelatti e Très Brut de Marchand…

Nos pés, Topper, Bamba e All Star. No corpo, calças Ustop e Fiorucci. Era moda, era atitude, era uma época em que até as marcas pareciam fazer parte da nossa identidade.

Era uma época em que pequenos detalhes tinham um significado enorme. Uma roupa, um perfume, um tênis, uma música, uma fita K7... Tudo podia carregar uma história.

Lá estivemos... Eu volto porque eu estive lá...

Levei namoradas até os portões... Roubei beijos... Fiz serenatas e bebi nas madrugadas... Vivi aquelas noites que pareciam não ter fim. Conheci pessoas, fiz amizades, vivi paixões e guardei histórias que, mesmo depois de tantos anos, continuam escondidas em algum canto da memória.

Bandas nacionais e internacionais... O rock acontecendo... As músicas que foram apresentadas naquela época e que ainda ouvimos hoje... Algumas foram lançadas, outras descobertas, outras simplesmente passaram a fazer parte da nossa vida.

E o cinema... Curtindo a Vida Adoidado, De Volta para o Futuro, O Clube dos Cinco... Eu vi...

Eu estava lá, sentado diante da tela, vivendo aquelas histórias enquanto elas ainda eram novas. Sem saber que, décadas depois, elas se transformariam também em lembranças da minha própria juventude.

Chorei nas madrugadas ouvindo Air Supply... Fui apresentado ao A-ha, com Hunting High and Low... E algumas músicas simplesmente entraram na nossa vida de uma maneira que não dá para explicar. Basta ouvir os primeiros acordes e, de repente, estamos novamente em algum lugar do passado.

Fui a determinados lugares que hoje talvez nem existam mais... Lugares que, olhando de fora, poderiam parecer simples ou até sem importância. Mas que, para nós, eram cenários de felicidade. Porque é assim que a memória funciona...

Ela não guarda apenas acontecimentos. Guarda sensações. Guarda cheiros, músicas, vozes, lugares, rostos, roupas, perfumes, madrugadas... E, às vezes, basta uma música para tudo voltar. Uma fotografia. Um perfume. Uma palavra...Ou uma Trend nas redes sociais...

E, de repente, a gente percebe que o tempo pode até passar, mas algumas décadas simplesmente se recusam a desaparecer. Que saudades... Eu estive lá. Eu vivi...

Eu tenho boas recordações. E talvez seja por isso que, quando alguém diz que gostaria de voltar aos anos 80, eu apenas sorrio... Porque eu não preciso voltar para lá. Eu nunca fui embora completamente.

Que voltar, Mandy...? Talvez seja hora de abrir novamente aquela velha porta... Estou indo te buscar...