| 08 de janeiro de 1966 |
Sabe aqueles achados no fundo de gavetas ou em
caixas esquecidas no alto do guarda-roupa? Objetos que o tempo esconde,
cobertos de poeira e ácaros, à espera de um reencontro com o silêncio,
aguardando pacientemente um reencontro com a memória. Foi desse modo que, após
seis décadas, ressurgiu a certidão de casamento dos meus pais. Um papel
amarelado, marcado pelo tempo, mas repleto de vida, lembranças e história.
Eles chegaram a celebrar as Bodas de Ametista, 55
anos de uma união construída dia após dia. Há cinco anos, porém, o tempo
cumpriu seu percurso natural e meu pai partiu, deixando a ausência e a lembrança.
Neste dia 8, seriam celebradas as Bodas de Diamante. Não houve festa, mas ficou
o registro — e isso também é permanência. O documento atravessa os anos como
testemunha silenciosa de uma vida partilhada, de escolhas feitas a dois e de um
amor sustentado pelo tempo.
Meu pai tinha 24 anos, às portas de completar 25;
minha mãe, apenas 19, quando decidiram unir seus caminhos. Casaram-se no altar
da Paróquia de São Paulo Apóstolo, na Rua Tobias Barreto, entre o Belenzinho e
o Alto da Mooca, na cidade de São Paulo, Um belo cenário de um momento solene,
destinado a marcar para sempre a história da nossa família.
Era o segundo sábado do ano de 1966, dia 8 de janeiro,
e, na presença do Cônego Antônio Leme Machado, entrelaçaram suas vidas em
matrimônio, selando diante do altar um compromisso que atravessaria o tempo.
Haviam se conhecido anos antes, em 1962, na Vila Maria, onde a história dos
dois começou de forma simples e espontânea. Permaneceram juntos por 59 anos,
caminhando lado a lado até junho de 2021, quando meu pai fez sua passagem para
o Plano Espiritual, deixando como legado uma vida de união, afeto e memória.
Uma data que merece ser guardada com cuidado.
Naquele mesmo dia, Elvis Presley completava 31 anos — e meu pai, na juventude,
tinha algo do Rei do Rock no jeito. Não cantava, é verdade, mas sua presença
marcante encantava; minha mãe gostava de contar que as meninas suspiravam
quando ele passava. Curiosamente, também em 8 de janeiro celebra-se o Dia do
Fotógrafo. Talvez por isso eu sempre tenha nutrido um apreço especial pelas
fotografias: o poder de fixar o instante, de preservar aquilo que o tempo
insiste em levar. Eu conto histórias porque acredito na memória como forma de
permanência. Esta é mais uma delas — uma história de amor, de tempo vivido e de
lembranças que resistem, daquelas que merecem ser guardadas para sempre.
| 08 de janeiro de 1966 |
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| Paróquia de São Paulo Apóstolo - Rua Tobias Barreto - Belenzinho - São Paulo |
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Comente
"Velhos tempos , belos dias".....Grande legado! Gratidão ✨️💫🌹🇧🇷🌏
ResponderExcluirVelhos tempos… belos dias, quando o tempo passava mais devagar e a vida parecia caber em menos coisas — simples, intensos e inesquecíveis...
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