Gosto de futebol. Sempre gostei. Foi nosso pai quem nos apresentou ao Palmeiras — e, desde então, somos palmeirenses de coração. Quando o assunto é Seleção Brasileira, a paixão é antiga. Da Copa do Mundo de 1974 lembro muito pouco — eu tinha apenas cinco anos. Mas foi naquele ano que a “caixa do faz de conta”, a televisão, chegou à nossa casa. Meu pai comprou a primeira TV por causa da Copa. As lembranças são poucas, mas algumas ficaram marcadas: ele estendia uma colcha laranja na janela para conter o sol da tarde e não atrapalhar a imagem. E também me vem à memória uma propaganda de cigarro Continental, que passava durante as transmissões.

Na Copa de 1978, tudo foi diferente. Eu já era do mundo da bola. Gostava de jogar futebol, colecionava figurinhas e até tampinhas da Coca-Cola, que traziam jogadores em verde e amarelo — pena que se perderam com o tempo.

Lembro das eliminatórias, dos amigos reunidos em casa para assistir aos jogos. Qualquer partida virava festa. Lembro também do pai nos levando à casa do tio Juvenil, que tinha televisão colorida. Aquilo era pura magia.

Mas aquela Copa trouxe sofrimento. Ficamos invictos, mas sem o título. Deram-nos o consolo de “campeão moral”. Nunca esqueci onde eu estava quando a Argentina goleou o Peru. Na rua Gumercindo Ferreira havia um hotel onde buscávamos marmita. Fui lá no começo da noite, e o clima era de indignação. O Brasil estava fora da final. Restou disputar o terceiro lugar — e vencemos. Ainda assim, a taça ficou com os donos da casa.

Naquele mesmo ano, em agosto, veio outra decepção: o Palmeiras perdeu o Campeonato Brasileiro para o Guarani. Ficamos com o vice.

Na Copa de 1982, a frustração foi ainda maior. O futebol que encantou o mundo não venceu. A magia não bastou. Às vezes, o encanto é só ilusão. Em 1986, outra decepção. Foram essas Copas que mais me marcaram, que mais me fizeram sonhar. As que vieram depois já não tiveram o mesmo brilho. Vi o Brasil ser campeão duas vezes, mas, com o passar dos anos, o encanto foi diminuindo.

Guardei tabelas de Copas do Mundo, colecionei histórias, livros... ainda tenho algumas dessas lembranças. Sei muito sobre as Copas do passado. Hoje, porém, mal sei quem são os jogadores da seleção.

A camisa que um dia me encantou profundamente já não encanta como antes. Talvez o tempo tenha mudado tudo — ou talvez tenha sido eu.

 

1958
        


1962




1970




1974



1978


1982






1986