Há exatos 75 anos, em 23 de junho de 1951, o
The New York Times publicava um estudo que apontava uma mudança silenciosa, mas
profunda: a televisão estava transformando a forma como as pessoas viviam, se
informavam e se divertiam.
No Brasil, ela ainda dava os primeiros passos.
Mesmo assim, já era possível perceber que aquela caixa iluminada no canto da
sala mudaria hábitos, costumes e a maneira de enxergar o mundo.
As famílias passaram a se reunir diante da
tela. O rádio perdeu espaço, a leitura ganhou uma concorrente poderosa e a
política descobriu a força da imagem.
Na minha casa, a velha "caixa do faz de
conta" chegou em 1974, ano de Copa do Mundo. Eu tinha cinco anos. Lembro
do encanto de ver os jogos, os desenhos e os programas entrando pela sala. Para
a minha geração, a televisão não era apenas um aparelho; era um acontecimento.
Setenta e cinco anos depois, a história se
repete. A televisão, que revolucionou a comunicação, agora divide espaço com
uma tela muito menor e muito mais presente. O celular virou nossa janela para o
mundo.
Antes, a família se reunia diante de uma única
tela. Hoje, cada um carrega a sua no bolso. Estamos mais conectados do que
nunca, mas talvez mais distantes uns dos outros.
A televisão precisou se reinventar para
sobreviver. E nós também precisamos aprender a conviver com essa nova
realidade. Afinal, a pergunta continua atual: estamos usando as telas ou são
elas que estão nos usando?

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