Vou entrar no DeLorean. Ele já está na porta,
motor ligado e o painel marcando o destino: 1955. Dizem que quem viaja
no tempo leva apenas o essencial. Eu vou de lambreta, jaqueta, camisa listrada
e muita curiosidade.
Meu pai sempre dizia que não houve década mais
fascinante que os anos 50. Talvez fosse saudade. Talvez fosse verdade.
Os chamados Anos Dourados tinham um
charme especial. O rádio ainda era companhia diária, a televisão começava a
conquistar espaço, o rock'n'roll surgia para mudar a música e as lambretas
cruzavam as ruas. Os rapazes queriam ser como James Dean, as moças admiravam
Marilyn Monroe, e o cinema parecia produzir sonhos em preto e branco.
Os discos de vinil giravam nas vitrolas, os
bailes enchiam os salões e havia uma sensação de que o futuro seria sempre
melhor que o presente. Era um tempo de otimismo, mesmo com as preocupações da
Guerra Fria rondando o mundo.
Talvez seja por isso que tanta gente tenha
saudade dos anos 50 sem nunca ter vivido neles. Não é apenas nostalgia de uma
época. É saudade de uma ideia: a de um mundo que acreditava no amanhã e
encontrava encanto nas coisas simples.
O DeLorean continua esperando. Se eu realmente
chegar a 1955, talvez encontre tudo isso. Ou talvez descubra que meu pai tinha
razão.
De qualquer forma, se alguém me procurar,
estarei por lá... entre um disco de Elvis girando na vitrola, uma sessão de
cinema de sábado, uma lambreta estacionada na calçada e os sonhos de uma década
que nunca saiu de moda.
Talvez eu esteja tentando cruzar o caminho da
Marilyn, meu eterno anjo loiro. Ou esperando o broto aparecer no portão da
escola, com os livros apertados contra o peito e um sorriso capaz de fazer
qualquer rock'n'roll perder o compasso.
Porque algumas viagens no tempo não são para
mudar a história. São apenas para viver, nem que seja por alguns instantes, um
sonho que ficou estacionado em 1955.

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